Os produtores e roteiristas Steven Moffat e Mark Gatiss, a dupla criativa responsável pela série Sherlock, anunciou que estão trabalhando em uma série para a BBC que irá adaptar o livro Drácula, de Bram Stoker. A Hartswood Films foi escolhida para produzir a série que ainda não possui data de estreia nem tampouco informações adicionais. O formato deve ser o mesmo de Sherlock, no qual a temporada tem poucos episódios, cada um com a duração próxima de um longa-metragem. É difícil imaginar que Steven Moffat e Mark Gatiss tragam Drácula para o século XXI, como fizeram com Sherlock Holmes.

Drácula talvez seja o personagem que mais tenha aparições em obras de ficção, seja no cinema, quadrinhos, teatro ou literatura. Surgido em 1897, data da publicação do livro, o vampiro acompanhou a evolução dos meios de comunicação durante o século XX e se tornou icônico. Entretanto, faz tempo que uma adaptação audiovisual não resgata o suspense original do texto de Bram Stoker. Drácula não é o primeiro vampiro da literatura, Bram Stoker claramente se influenciou pelas histórias terríveis envolvendo o Imperador Vlad III, além dos livros O Vampiro, de John Polidori, e Carmilla, de Sheridan Le Fanu.

Em 1897, antes da publicação do livro, o próprio Bram Stoker escreveu uma peça adaptando o livro. Porém a peça foi encenada uma única vez, Stoker montou o espetáculo somente para obter os direitos autorais de sua própria criação. O primeiro filme em que Drácula apareceu foi Dracula’s Death, dirigido pelo húngaro Károly Lajthay em 1921, que apresenta uma história bastante diferente da original. Não existem cópias do tal filme, assim como de uma suposta produção soviética de 1920. Coube ao alemão F. W. Murnau realizar Nosferatu, o primeiro grande filme do vampiro em 1922, embora o cineasta tenha alterado o nome de Drácula para Conde Orlok, que foi interpretado por Max Schreck. O longa, que é considerado por críticos e diretores como um marco na história do cinema, teve quase todas as cópias destruídas em função de uma decisão judicial.

Após a morte do escritor em 1912, sua mulher ficou responsável pela propriedade intelectual, foi ela que moveu o processo contra Nosferatu, por exemplo. Amigo da família, o dramaturgo Hamilton Deane recebeu a aprovação para escrever e montar uma peça que estreou em 1924 na Inglaterra. Deane, que também era diretor e ator, interpretava Van Helsing na produção que foi bem-sucedida, se apresentou durante três anos por cidades inglesas antes de se estabelecer Londres em fevereiro de 1927. No mesmo ano o autor John L. Balderston foi indicado para revisar o texto para a montagem americana da peça, ele fez algumas alterações e diminuiu o número de personagens. A peça estreou em outubro de 1927 na Broadway com o ator húngaro Bela Lugosi no papel principal. Em 1931 a versão americana da peça virou filme, com direção de Tod Browning e Lugosi como Drácula, o influente filme da Universal Studios abriu portas para o gênero do terror. Utilizando as mesmas locações e outro elenco, o diretor George Melford conduziu a versão falada em espanhol de Drácula que foi filmada concomitantemente com a produção americana.

Em 1936 a Universal realizou uma sequência direta para o filme de Tod Browning, A Filha de Drácula traz Gloria Holden como Marya Zaleska, a herdeira de Drácula. O estúdio continuou apostando no personagem, primeiro como protagonista em O Filho de Drácula (1943), depois compondo o time de monstros em A Mansão Frankenstein (1944), O Retiro de Drácula (1945) e Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas (1948), esta última uma comédia que marca o retorno de Bela Lugosi ao papel. A Universal filmou outro Drácula em 1979, com o ator Frank Langella que também interpretou o vampiro no teatro.

A produtora inglesa Hammer Films iniciou sua longeva série de filmes protagonizados pelo ator Christopher Lee em 1958, modernizando a trama e explorando mais cenas com sangue e violência. Lee encarnou Drácula onze vezes no cinema, só para a Hammer ele participou de sete filmes, e assim como Lugosi também fez paródias. Contudo a versão mais próxima do livro é Drácula de Bram Stoker (1992), do cultuado cineasta Francis Ford Coppola, que é protagonizada por um inspirado Gary Oldman. A partir da década de 1970, o personagem recebeu várias versões para o teatro, como dramas, comédias ou musicais. Uma delas em especial foi montada em 1984, escrita por Chris Bond e com Daniel Day-Lewis como o sanguessuga.

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