Quem é amante da fotografia ou estudante sabe como as publicações sobre arte são caras. Concebida por Robert Delpire na França, em 1982, como uma coleção de introdução à fotografia a Photo Poche, da editora Acte Sud, é um série de livros prestigiada internacionalmente com uma seleção do melhor da obra de grandes fotógrafos. As negociações entre a Cosac Naify e a editora Acte Sud para trazer ao Brasil em versão traduzida de alguns números da coleção duraram quatro anos. Em 2011, finalmente a Photo Poche chegou às livrarias brasileiras.

A princípio foram publicados cinco volumes: Henri Cartier-Bresson, Man Ray, Sebastião Salgado, Helmut Newton e Elliott Erwitt. Mais tarde foi a vez de Josef Koudelka, Lewis Carroll, Robert Capa, Edward Steichen e André Kerstész. Com formato portátil (13cm x 19cm) e preço acessível, a coleção permite que o público amplie a sua formação visual e ao mesmo tempo divulga a obra de grandes nomes da fotografia. Cada volume contém uma seleção criteriosa de imagens (uma por página), acompanhado de texto de apresentação, biografia e bibliografia.

Mulheres muçulmanas nas encostas de Hari Parbal Hill, rezando para o sol nascer atrás do Himalaia. Srinagar, Caxemira, INDIA, Caxemira, 1948

Henri Cartier-Bresson (1908 – 2004) foi um fotógrafo francês considerado por muitos profissionais como o pai do fotojornalismo. Foi um dos fundadores da Agência Magnum junto com Robert Capa, David Seymour e George Rodger. Muito mais do que um fotógrafo, Bresson era um caçador de momentos. E a hora certa para fazer o clique  ele chamou de “o instante decisivo”.

Kiki de Montparnasse, Noire et Blanche, 1926 – Photo de Man Ray

Iniciado na pintura ainda na infância, Man Ray (1890 – 1976) é conhecido como o grande fotógrafo do surrealismo. Suas “radiografias”, definidas por Jean Cocteau como “quadros pintados com a luz”, foram subversivas no contexto de uma visão moderna da fotografia como “documento da realidade”. Man Ray retratou alguns de seus contemporâneos, como Marcel Duchamp, Henri Matisse e André Breton.

As pessoas vivem nesse vale de modo semelhante aos seus antepassados, nos tempos bíblicos. Etiopia, 2008

O primeiro fotógrafo brasileiro a integrar a coleção Photo Poche foi Sebastião Salgado. Nascido em 1944, no município de Aimorés, interior de Minas Gerais, estudou economia, mas logo se interessou pela fotografia. Membro da Agência Magnum, o registro do atentado contra o presidente dos EUA Ronald Reagan, em 1981, mudou definitivamente a carreira do fotógrafo brasileiro. Em sua obra Sebastião retrata e denuncia os limites da condição humana mostrando trabalhadores e crianças em situação de risco e o êxodo dos imigrantes, por exemplo. Recebeu importantes prêmios, como o Grand Prix National de La Photographie (França, 1994) e o Grand Prix Cartier-Bresson (1991).

H.N.

Helmut Newton (1920 – 2004) foi um fotógrafo alemão, naturalizado australiano, conhecido pela criação de imagens de moda com retratos de mulheres nuas. Com introdução do designer de moda e fotógrafo Karl Lagerfeld, esse volume conta com depoimentos do próprio Newton. As imagens criadas por ele, com destaque para seu trabalho autoral e junto a Vogue francesa, “ajudaram a introduzir o nu nas publicações de moda e a definir os padrões de beleza do século 20” [1]. Em geral suas fotos são em P&B, e ele possui um estilo marcado pelo erotismo, fazendo alusões sadomasoquistas e fetichistas com frequência. Em 1980, recebeu o Grand Prix National de La Photographie.

Mais conhecido por suas fotos em preto e branco de cães com seus donos em situações absurdas e hilariantes, Elliott Erwitt é um fotógrafo documental franco-estadunidense e publicitário nascido em Paris, em 1928. Dono de um olhar bem humorado e nada convencional, o fotógrafo octogenário é membro ativo da Agência Magnum e ainda é uma das principais figuras no campo competitivo da fotografia na atualidade.  Sua obra dá atenção e valor a pessoas comuns vivendo o seu dia a dia. Esta é a primeira publicação sobre o artista no Brasil, com 63 fotografias essenciais e depoimentos do próprio Erwitt sobre sua obra, na qual, diz ele: “tudo é sério, e nada é sério”.

Praga, Checoslováquia, agosto de 1968. Invasão pelas tropas do Pácto de Varsóvia

O tcheco Josef Koudelka (1938) registrou a invasão soviética da Checoslováquia, em agosto de 1968. Testemunhou e registou a entrada das forças militares do Pacto de Varsóvia em Praga e o esmagamento das reformas da chamada Primavera de Praga. Com receio de represálias contra si e sua família, os negativos de Koudelka foram contrabandeados para fora de Praga até à agência Magnum e publicados anonimamente no jornal The Sunday Times, sob a sigla P.P. (Praga Photographer). Exilado por razões políticas, o fotógrafo dedicou seu olhar a figuras solitárias e lugares precários. Membro da Agência Magnum, recebeu importantes prêmios, como o Grand Prix National de La Photographie (França, 1987) e o Grand Prix Cartier-Bresson (1991).

Mais conhecido por seus livros infanto-juvenis, Lewis Carroll se interessava profundamente pela fotografia. Ele adquiriu uma câmera e especializou-se em retratos num tempo em que era preciso posar por horas para se obter uma imagem. Entre a sua série de retratos estão as fotografias de Alice Liddell, a menina que o inspirou a escrever Alice no País das Maravilhas.

O registro ‘ligeiramente fora de foco’ do desembarque dos soldados Aliados nas praias da região da Normandia

Um dos principais nomes por trás da criação da Agência Magnum, as imagens de Robert Capa (1914 – 1954) mudaram o rumo do fotojornalismo, assim como a Magnum redefiniu a relação entre os fotógrafos e as publicações. Capa cobriu alguns dos principais conflitos do século XX, como a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Indochina, na qual faleceu em 1954. Capa registrou o desembarque dos soldados dos Aliados (União Soviética, Estados Unidos, Império Britânico e a China) nas praias da região da Normandia, na França, em 6 de junho de 1944, no evento que ficou conhecido como Dia D[2]

A atriz Mary Heberden (Vogue, 15 de março de 1935)

Edward Steichen (1879-1973) foi pintor, curador de museu, designer e documentarista, mas ficou mais conhecido como fotógrafo. Como fotojornalista cobriu a Primeira Guerra Mundial, mas também inovou no mundo moda em revistas como a Vogue e Vanity Fair. Entre 1947 e 1962 foi diretor do departamento de fotografia do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York.

Distorção de André Kertész

“Nós todos devemos algo a Kertész”, disse Henri Cartier-Bresson sobre o fotógrafo húngaro André Kertész (1894 – 1985). Autodidata, Kertész trabalhou incansavelmente na pesquisa das linguagens fotográficas. É considerado um dos artistas mais completos, tendo sido um expoente no fotojornalismo, nos retratos, na fotografia de moda e na arte.

Atualmente, a coleção Photo Poche é publicada em sete países pelas mais renomadas editoras de arte e fotografia, reunindo mais de 150 títulos, entre monografias e volumes temáticos, divididos em três categorias: Histórias, Notas e Sociedade. O projeto editorial é um dos mais difundidos do mundo, sendo uma referência para qualquer estudo ou pesquisa sobre a área.

 

REFERÊNCIAS:

[1] http://www.cleopires.com/helmut-newton/

[2] Foi um poderoso ataque contra os nazistas, levando a Alemanha a render-se para os Aliados onze meses depois.

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